sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Olho do Diabo I

Segundos de Loucura diante do ânus mecânico / rabo esquizofrênico /
Puta lunática
    Samba, rock e polifonia
Voos sobre Sodoma, passeio guiado por Gomorra antes de viagens argentinas

Olho do Diabo II

Teus órgãos fracos / magros entre-luzes
às margens da inocência
   Pássaros fora do Tempo
ácido fervente; pesadelo de Freud e T.S. Eliot
Todos os deuses, nada te apreende, só Luxúria e Poder

Olho do Diabo III

Nós reparamos todo o Mal
    Com Luxúria, Traição & Macumba Primitiva:
Arte de Domar nossas potências Caóticas

Tua boca se dilata quando urras no timbre do teu gozo leve e rouco
Cheiro de Eros saindo das vitrolas...
És orgulho de Pã e Dioniso
Na tua dança frenética antecipas o Fim do Mundo
Todo espaço vibra nos teus Pés-Tambor
Faz-me Sátiro- Momo, dissecando em rara nuvem o brilho da última Lua nua

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A
    Poesia
               Morreu

terça-feira, 25 de setembro de 2012

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Para Isabela ou uma tarde no CCBB

     O dia

           O beco

         Lição

 Os dois Menécmos

 Língua

      Figural

         cândido
             
      Berço

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Tabula rasa: II. Silentium – Senza Moto

Arvo Pärt


Nos ouvidos que nada renunciam canta Senza Moto

Navego, então, sobre o mastro que se lança do bico de proa para frente, no veleiro, no plano longitudinal, com uma inclinação de cerca de 90° acima do plano horizontal: gurupés.

Navio que, trôpego, deleita-se ao vento sob o sol sem sombras;

sem direção; sem âncora; raízes: teixos sem solo.

Olhos lacerados e esquálidos, reverentes somente ao Mar.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Vênus Voluptas



Cunhantã Cumarim aproximou-se com sua boca de ferro fundido em fogo solar

Ajoelhou-se aos pés de Hydrus e Equueleus & Tirou-lhes o gozo como acróbata no cio

Vestiu-se de Sudário e  coroa concertina

Partindo em voo píncaro para os Prados lampírios  no seu corpo em chamas de flores anil

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Poema Antropofágico

a poesia Grita
    Fogo e brasas
      meus pés tateiam lânguidos
    dançam
em corpos caraíba

segunda-feira, 27 de agosto de 2012


 ____________________________________________

Na tua pele cobertor de seda cashmere
Envolvo-me menino, pacificado pelos teus toques andróginos


Tua voz é diamante penetrante produzindo defluxos e erupções aduaneiras de gozo e melancolia

  nossos corpos bailam exorcismos galopantes & consomem-se no Sermão do Fogo: insaciáveis!

Canção do Herói Trágico

Primavera Nos Dentes

Quem tem consciência pra se ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra mola que resiste
Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera

Secos & Molhados

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Os poemas que escrevo

Vincet Van Gogh - Wheatfield with Crows, 1890.

Os poemas que escrevo, por medíocres que sejam, são sempre um produto desesperado de um equilibrismo sutil na tênue corda bamba suspensa no abismo que é minha existência; consequências de um desenfreado anarquismo sem contensão.
Admito, não é possível voltar ou parar. Cairia! Daqui, só a loucura ou a morte, pois são, inevitavelmente, obras com um risco irremediável, de uma experiência levada até o extremo, até o ponto em que eu não possa mais continuar.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

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Nietzsche, no quarto parágrafo da primeira dissertação da Genealogia da Moral sugere que o preconceito democrático seria o último avatar desse processo de apagamento, esquecimento do que está na origem: a instauração soberana.
Depois de olhar por alguns minutos a imagem de L'Origine du monde, de Gustave Courbet, permito-me pensar que talvez a questão da soberania seja mais uma dimensão e menos causa dos preconceitos gerais. A imagem de Courbet deixa clara a proximidade entre o que o artista chama de origem - nesse caso uma origem simbólica - e os orifícios excretores. Parece-me haver uma relação intrigante e produtora de mal estar entre aquilo que nos origina, edifica, constitui e nossos excrementos. Isso nos dificulta a nos pensar, pois nos pensar, nesse caso, seria buscar uma origem que, fatalmente, poria os excrementos em evidência: tudo que, em nossa história particular, procuramos dispensar com um esforço incalculável, cotidianamente. Seria então possível pensar em um subproduto 'excremental' onde os preconcentos seriam lugar onde estariam armazenadas veladamente as partes mais rejeitáveis daquilo que nos constitui enquanto sujeitos.  
“Pois a lógica anatômica do homem moderno é jamais ter podido viver, nem pensar em viver, a não ser como possesso.” Assim termina o Post-Scriptum à introdução do texto Van Gogh, O Suicidado da Sociedade, enviado ao editor por Artaud, por volta de 10 de março de 1947, como um complemento ao texto original. Há uma relação óbvia entre o fato de um sujeito não tomar posse da sua existência, sempre delegá-la a um Outro e o temor da emergência do real, colocando-o frente a um afeto insuportável, a angústia. Mas é a partir da angústia que os excrementos podem ser expelidos, pois é nela que se denuncia um vazio originário que opera, no mínimo, como depositório desses mesmos excrementos. Mas cabe lembrar: os excrementos podem ser expelidos em seus excessos, mas sempre deixarão seus odores insuportáveis e restos impregnando as paredes da nossa constituição subjetiva.
a poesia vê melhor
eis o espírito do fogo
minha mão
dança
no corpo do garoto lunar
_____________________

teu cu fora da lei
teu pau infurecido
alegria de anjo
nas estradas
do prazer
língua dos espíritos índios
cogumelos profetizando
anarquia & delírio
boca no meu pé
boca no meu saco
poesia é desatino abrindo a Noite
no excesso do Dia

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Poema Submerso

Eu caminhava pelas aléias olhando com alucinada ternura
       as meninas na grande farra dos canteiros de
       insetos baratinados
Teu canto insatisfeito semeava o antigo clamor dos
       piratas trucidados
Enquanto o mundo de formas enigmáticas se desnudava
       para mim, em leves mazurcas

R.P. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Breve elogio à beleza

Gustave Courbet (1819-1877) Femme nue au chien
Escrito às 09h do dia 09/08/2012 após um encontro no corredor da repartição.


Teu sorriso áureo, mesmo tão fugaz, iluminou espaços infinitamente;
sepultou o tempo;
cessou ventos nos trigais.

tua pele fulva de centenas de girassóis reflete o sol poente que no céu se estende e descortina as maravilhas de uma beleza intransponível.

Teu Belo, inquieto e angustiante, traz medo; poesias estranhamente mudas; enrodilhadas no coroado nó de chamas lúgubres pentecostais

Teus olhar vítreo e delicado desconserta minha oca sabedoria.
Meu corpo treme!
Admiro-te calado como um solitário equino de coche pardacento abandonado no róseo crepúsculo;

ruminando, sim, ruminando uma vida comum - pedra tumular - cheia de valores imprecisos decadentes.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A Bacante


Bacchante (William-Adolphe Bouguereau, 1984)
Minha aventura, sem consequências previsíveis, tornou-se uma armadilha torturante que me enxerta saudades; turva minha mais sólida razão fazendo florescer minhas fantasias mais secretas, cheias de medo e êxtase!

Fui sutilmente escravizado pelos delírios das lembranças dos teus lábios, do teu suave e leve corpo, ó Cálice, do teu sol transparente e penetrante; do céu erótico aberto por mil palavras mágicas transbordantes; do teu palatum de infinitas constelações. 

Da tua voz e das tuas promessas não ditas, nem se quer por ti pensadas, tornei-me refém-menino, pornográfico vulcânico.

Que Ménade és tu? Silene, Enante, Rode, Calícore?

Ione ou Licaste, quem alcança o teu coração cheio de espaços infinitos acolhedores?

Ter sido somente mais um: eis minha realidade secreta!

Nossa orgia dionisíaca inaugurou funestas noites!

Tornei-me Trakl, Antoine Artaud, Otelo, Édipo e Antígona! Tornei-me desgraçado!

Filha de Dionísio, aonde andas tu agora?!

Desejo cheio de intensidade os Grandes Lábios das tuas Ancas Pagãs cheias de carnes transgressoras; desejo os fluidos materializados no teu corpo pelo gozo do interditado; os teus gritos volumosos cheios de potência e vida!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Escritos sobre Abismo


Meus olhos turvavam diante dos teus raros modos

Ando vagando, sim, tateando algo que dê consistência às palavras antes vivas, hoje tépidas...

Desde que os teus braços se recusaram a acolher meu frágil corpo, que sou eu?

Tuas últimas palavras:- sê, simplesmente! Tornaram-me nada contraditório. Tiraram de mim o que não tinha de valor. Nem poesia! Nem poesias me suportam mais!

Antes fosse ébrio, condenável, violento ou inconsequente; PUTO!

Minha potência se desfez, evanesceu! Tornei-me volume morto, multilado, cadáver transitório, sem sombras, diante de uma existência que só é no abismo da tua ausência.

Sacralizei-te, não nego. Fiz-te dona da Dinastia do meu corpo, do meu Eros, dos meus

dinamismos caóticos, das minhas razões transfiguradas pelos motivos mais secretos!

Ainda sim, confesso, novamente faria só para tê-las, as lembranças corrosivas do teu corpo nu,

dos toques de plumas dos Periantus dos teus Echnocactus, sensivelmente tártaros e

indolores.

Condenado, suplico transfusões de imagens raras, jamais vistas, nem pelos olhos de Rimbaud;

de novos paraísos sem tais estranhas dores.

De novas poesias, de Verdadeiras Poesias Foras da Lei.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Cachaça, poesia e nada de sexo


Cachaça, poesia e nada de sexo



Macedo foi um professor universitário que me acompanhava frequentemente nas minhas leituras fragmentárias. Chegou a ser uma espécie de ícone contra aquela ladainha acadêmica que permeava o espaço do colégio. Encontrávamos-nos com alguma frequência, sempre pra ler algo novo. De psicanálise e filosofia até Roberto Piva. Até que era bom, não nego, mas logo entendi as afinidades que nos aproximavam.
Em seu casebre tinha um piano, livros, maconha e bebida, mas raramente mulheres. Quase tudo que um perdido jovem, pretenso vagabundo, precisava pra elevar a sua vida à condição de coisa suportável.
Certa vez, decidimos fazer um encontro. Chamamos de “A orgia poética” ou coisa assim. A ideia era ler uns poemas, dar uns tragos e quem sabe, convencer aquelas neuróticas feministas a fazerem uma sacanagem com a gente. Acho que isso era o mais difícil. Ele chamou umas amigas bem gostosas, aliás. Umas já rodadas na vida, mas pouco experimentadas no sexo. Isso era tão claro e límpido quanto aquela garrafa de cachaça medíocre que ele decidiu servir e que só eu, tomei dois terços. Isso antes da leitura de textos.
Uns amigos e as mulheres chegaram por volta das dezenove horas e, já as vinte, a garrafa estava vazia, vazia; a melhor imagem especular da minha vida naquele período, quero dizer, a garrafa vazia. Naquele momento, depois de ter entornado os dois terços da breja vadia, olhei pra ela e pensei:
 - Sua puta, agora quem está vazia é você.
Ali percebi que a orgia estava, pelo menos da minha parte, com toda a sua potencia para acontecer.
A merda é que aqueles pequenos burgueses e burguesas, intelectuais de merda, falavam mais que bebiam. Pareciam manequins de intelectuais cuspindo um monte de merda que nem eles entendiam. Falavam superficialmente de tudo: Freud, Lacan, Marx, Baudelaire, blá, blá, blá....e eu pensando: – Caralho, essa porra não vai parar.
Senti náusea insuportável. Fui vomitar na pia da cozinha. Aproveitei e peguei uma cerveja. Ninguém deve ter percebido nada. A pia parecia até uma latrina de banheiro público, mas daqueles intransitáveis. Meu vômito era a coisa mais limpa e límpida daquele recinto.
Ainda pensando: Que porra de poemas esses putos vão querer ler? Não tenho espírito pra Drumond, Vinícius, Cabral, Baudelaire, Verlaine, Casimiro, irmãos Campos...todos eles pra mim são merdas. Nunca entenderam o que é poesia, pois a época não os favorecia. Aliás, imagino que a poesia dos períodos que antecederam o dos espíritos marginalizados da literatura eram apenas embriões de poesia. Poesia de verdade, com ‘P’ de Puta ou qualquer coisa que tenha importância literária, só foi possível muito recentemente, quando nos encontramos aterrorizados com a nossa condição! Mas enfim, sem filosofias de merda...deixemos isso para os filósofos.
Pra piorar tudo, começaram a falar de métrica, melodia,teoria do verso, teoria literária e outra merdas. Porra, o que esses putos e putas entendem de ritmo e harmonia? Tava me sentindo num asilo de velhos decadentes! Fodam-se a Métrica, o Ritmo, o verso. Essas porras estão em tudo; na fala, na escrita, no movimento, no ruído. Que porra de teóricos de merda. Já não aguentava mais aquela chatice (já disse isso). Mas era sério. Levantei do chão, fui ao centro da sala e disse:
 - Porra, qual vai ser? 
-Vieram aqui pra isso, seus pensadores de merda?! Pensem menos e vivam mais, porra!
-Que porra de marginalidade é essa.
 Olhei pra mais gostosa, que estava logo atrás de mim, com um vestidinho até os pés, ajoelhei-me na frente dela. Todos aqueles merdas me acompanhavam fixamente com caras de espantalhos de milharal. Talvez não acreditassem no que viam.
 Peguei nos seus dois pés e coloquei sobre meus ombros! Passei a mão nas suas coxas...peguei o resto da breja que estava ali e virei sobre a sua cabeça. Ela ficou sem reação, não conseguia dizer nada. Eu falei:
 - não diga nada, simplesmente, sinta. Sinta horror, ódio, raiva, o odor, sinta o que tiver de sentir, simplesmente, eu te batizo em nome de nada, de nada, dos espírito de nada, Amém...
 Dei uma sonora gargalhada. Naquele momento pensei: Esses putos vão, no mínimo, me isolar dentro do banheiro ou do quarto de empregada, no mínimo.
    Peguei um poema que tinha escrito antes de o início do bacanal sem sexo e comecei a ler...
Pra minha felicidade, ela estava acompanhada de um merdinha, professor de artes da UFMG. Que ficou puto, pois ela começava a esboçar um sorrido com uma leveza que acabou contagiando todos, menos o merdinha. A essa altura estávamos todos devidamente alcoolizados.
Qual o teu nome? – perguntei.
Lívia- respondeu ela.
Eu disse: - Não esqueça isso! Jamais!
-Impossível! Retrucou.
Foi uma senhora exclamação, com um lindo e claro sorriso nos olhos!
Macedo finalmente acordou daquela hibernação rotineira, colocou um jazz no som, apagou as luzes e acendeu somente um abajur de luz laranja. A festa tinha finalmente começado; baseados que pareciam troncos de árvore rolando!
Com a cachaça e meu cigarro de palha retomei o poema. Os burgueses intelectuais aplaudiram... Ainda tive que ouvir:
 - Cara, foi a melhor performace que presenciei nos últimos anos! Você é demais! E que poema foda! Gostei bastante!
 Fiquei com uma vontade quase que irresistível de socar a cara daquele aristocrata de merda! Performace? Que porra é essa?!
Mas consegui silenciar e fui pegar outra cerveja...Lembrei da paz dos Budas. Chega de porra de confusão!
Chamei a Lívia pra um canto da varanda. Ficamos ali até a alvorada. Falávamos pouco, mas nos compreendíamos somente no toque e no olhar. Lemos alguns poemas sérios juntos, nos abraçamos frequentemente e concordamos que estava sendo maravilhoso estar na companhia do outro. Nada rolou. Somente abraços, sorrisos e conversas irrelevantes. Mas foi uma noite inesquecível; pelo menos pra ela.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Bar do Manel


                                         03/Julho de 2012. 14h51min




O que era pra ser um dia como outro qualquer acabou se tornando uma ocasião fantástica.
Estava tomando um café em um bar próximo à repartição. Era um hábito que já nem me dava conta. Todas as quintas eu, depois daquele almoço ingrato, pois estava sempre tentando segurar uma grana, dava uma saída do trabalho pra tomar um café e ver o jornal na Tv do bar de um português chamado Manuel. Obviamente, como todos os clientes, chamava-o de manel. Mas nem sei o porquê. Não tinha nenhuma intimidade com o puto.
Sempre pedia um café, simplesmente um café; dois dedos no máximo e acendia meu cigarro. O único que conseguia fumar, meu cigarro de palha que me matava vagarosamentem, mas me dava uma gostosa sensação de tranquilidade. É sempre um bom companheiro para as horas mais e menos angustiantes. E hoje era um dia daqueles. Dia sem qualquer motivo de ser abatido por uma tristeza escrota. Já nem procurava mais entender. Simplesmente pensava: foda-se, bora tocar o barco.

Enfim, já na metade do cigarro e na entrada do comercial na TV, por um certo instante, meus olhos se desviaram daquela merda de aparelho que eu insisto em ver com a esperança de aplacar, pelo menos por um instante, a porra da náusea crônica.
Passei a mão na cabeça e olhei logo para baixo da TV, pois ficava pendurada numa parede decorada de garrafas de cachaça, sensivelmente convidativas.
Ali, logo ali sentadas, cinco mulheres. Novas. Por volta de 28 ou trinta anos. Elas me olhavam e riam. Olhei pra TV novamente, pensando não estar enxergando bem ou nem sei mais o quê. Olhei novamente para as moças. E, novamente, pra minha surpresa, elas me olhavam e riam.
Pensei: que porra tá havendo. Caralho, por que essas putas me olham e riem. Olhei-me de cima abaixo e quando levantei a cabeça, na minha frente, sim, na minha frente, estavam duas das cinco com a mesma cara de bunda que me olhavam quando estavam na cadeira.
Dei aquele sorriso escroto, pois estava altamente sem graça e perguntei:- senhoritas há algo de errado comigo? Falem por favor, pois estou bastante constrangido.
Elas rindo ainda mais ouviram um sonoro Porra qe saltitou como um gato assustado da minha boca de cinzeiro.
Umas delas disse: - a gente só queria experimentar esse cigarrinho, relaxa. Eu e minha amiga temos muita vontade de fumar e tals...se tiver um pra gente.
Pensei: cara, essas gurias chegam assim, sem transição, e ainda pedem a porra do meu cigarro, que é caro pra cacete...
Logo depois desse pequeno e improvável diálogo veio uma felicidade quase celestial. As meninas eram bem comestíveis. Aliás, eram lindas. Magras, brancas e peitudas; ambas.
Como um cão selvagem no cio, sem controle, mandei na lata:
- Trepem comigo!
Silêncio angustiante...Pensei: - pronto, agora eu tô fuuuudiiiido.
Tinha um carro da polícia ali pertinho. É agora que eu rodo - pensei. Porra, minha mulher sabendo que eu estou numa delegacia por falar putarias pra duas mulheres que nunca vi na vida- vai ser lindo isso. Não dava nem pra negar, pois a palavra das duas dondocas certamente valeria mais que a minha. Elas tinham cara daquelas mulheres da zona sul do Rio. Ricas, brancas, com roupas floridas e , provavelmente, cheias de influência. Certamente moram na Lagoa, Ipanema ou em um desses esgotos aristocráticos qualquer.
Saíram de perto, foram à mesa. Disseram algo para as amigas que menearam a cabeça positivamente. Foi aí que pensei:- agora to perdido...foda-se! Aristocracia de Merda. Fodam-se mil vezes.
As cinco vieram na direção da saída, pararam na minha frente e disseram:
-Então, pra aonde vamos?
Naquele momento, nem meu pau acreditava...
Perguntei com um leve sorriso no rosto: - Pra aonde vamos, como assim?
Uma delas disse:- Ué, não chamou nossas amigas pra trepar? Queremos ir também. -Podemos?
(Se eu fosse um muleque de 17 anos, meu pau já estaria na testa)
Ao lado um ponto de taxi...Olhei pra um deles. O taxi. Era tão fudido que fiquei preocupado em pegar tétano ou alguma doença de pele. Mas não tinha opção, era o primeiro da fila.
-Disse ao cara: - Boa tarde. não acreditava no que estava acontecendo.
Pensei que elas me matariam, me roubariam...tá fácil de mais! Essa porra desse cigarro é MÁGICO, caralho! E eu pensando em parar de fumar...
A tensão logo passou.e entramos no carro como crianças felizes indo para uma nova brincadeira...

terça-feira, 3 de julho de 2012

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A Última Carta




Teu rosto ainda me acolhe do Terror das minhas profundas contradições...
Ruem os espelhos cristalizados com as minhas identidades mais vulgares, mas ainda assim me negas...
Provocas-me sobre teus falsos castelos de liquidez nada honrosas e recusas o meu convite ao Eros Anárquico que só os Loucos, como eu por ti assim feito, têm acesso.
Ofereço-te um banquete de delícias épicas celestiais e só a ti, ó Moira das minhas emotivas tempestades.
Pedes-me para olhar em torno, mas não entendes que não tenho mais para onde voltar, pois ali, justamente ali onde pedes para voltar meus olhos de arcanjo caído, ali não mais pertenço, pois nunca pertenci...
Não sou de lugar algum; nem Teu, também não Dela, tampouco, Meu.
Ai de mim por querer ser inspirado, mesmo que brevemente, pela doçura do teu corpo magro... pelo teu olhar de vidro metamagnético; por querer aplacar a tua ira de livre mulher, ó Artemisa das minhas macro visões.
Fizestes de mim um Louco-pervertido, mas não sabes que por ti fui feito assim.
O que fazer, então, quando a tua sombra ainda pulsa na Superfície do meu Universo Imaginário Ilimitado?

sexta-feira, 11 de maio de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A nós e à Natureza!



Teus olhos são Lírios Pirosféricos &
teu rabo mecânico, de velocidades translativas, despertam meus Macro-Sentidos
num Caos aero-Lácteo, rumo à Lua Nua dos teus lábios carnavalescos de coloridos Antropofágicos.

Sob um dilúvio de juízos condenatórios
Nós brincamos desdenhando a Roda da Fortuna, fechados no nosso universo Hiper-Ecológico. Nós, todos os Animais e Plantas; Plantas-Animais e Animais-Plantas nos tornamos UM e proclamamos a soberania da Natureza com um grito Antropocósmico Vulcânico à Shiva Nataraja!

Evoé!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Por que me calo, calo por tempo demais
Sobre o que é clarividente e foi ensaiado
em planos, em cujo final, como sobreviventes
nós somos notas de rodapé em todos os casos.
É o alegado direito do primeiro ataque,
que poderia apagar o povo iraniano
subjugado por um boquirroto
e dirigido ao júbilo coletivo,
porque a construção de uma bomba atômica
em sua esfera de poder é cogitada.
Mas por que me nego,
a tratar pelo nome um outro país
no qual há anos — embora em segredo —
um crescente potencial nuclear está disponível
mas fora de controle, por que nenhuma prova
é acessível?
O silêncio generalizado desse fato,
ao qual se subordina o meu silêncio,
eu considero como uma mentira permanente
e obrigatória, que enfrenta punições
tão logo ele seja quebrado:
o veredicto de "antissemitismo" é imediato.
Agora porém, que meu país,
cujos crimes antigos,
que são inigualáveis,
uma vez e outra são trazidos à tona
de novo e de maneira protocolar, mesmo que
com lábios ágeis declara como reparação,
o envio a Israel
de mais um submarino, cuja especialidade
consiste em levar ogivas devastadoras de tudo
a um lugar, onde a existência
de uma única bomba atômica não foi provada
mas será pelo temor da força das provas,
digo o que deve ser dito.
Por que, porém, calei até agora?
Porque achava que minha origem,
que é manchada por uma mácula que nunca pode ser apagada
proibia atribuir esse fato como verdade anunciada
ao país Israel, ao qual eu sou ligado e
ao qual quero permanecer ligado.
Por que só digo agora,
envelhecido e com tintas finais:
a potência atômica Israel põe em risco
a já frágil paz mundial?
Por que é preciso dizer
aquilo que já pode ser tarde demais amanhã:
também porque nós — como alemães já suficientemente sobrecarregados —
poderíamos nos tornar cúmplices de um crime
que é previsível, causa pela qual nossa cumplicidade
não poderia ser amenizada
por nenhuma das desculpas costumeiras.

E admito: não me calo mais
porque estou cansado da hipocrisia do Ocidente;
além disso, há a esperança
de que vários se libertem do silêncio,
e instem o causador do perigo evidente
a abdicar da violência
e ao mesmo tempo insistam,
para que haja um controle sem restrições e permanente
do potencial atômico israelense
e das instalações nucleares iranianas
por uma instância internacional
com acesso permitido pelos governos de ambos os países.

Só assim se pode ajudar os israelenses e palestinos,
mais ainda, todas as pessoas, que nessa região
ocupada pela loucura
lado a lado vivem em inimizade,
e finalmente nós também.

Gunter Grass

segunda-feira, 2 de abril de 2012

sexta-feira, 23 de março de 2012


Os poemas deste blog fazem questão de Proclamar a maravilha dos gritos dados "à janela", e não os gemidos encerrados - abafados, enterrados - no quarto! Não há erotismo gratuito, mas afirmação de uma política do corpo em chamas, que reaja radicalmente a Ordem da Normalidade, castradora e deprimente! Uma Apologia a tudo que é "baixo", a tudo que é temido, à liberdade total do corpo, da nudez, da Natureza Naturante, da VIDA, portanto. Que as zonas baixas do corpo ganhem importância! Que o Corpo tenha sua pertinência resgatada! Que seja um corpo Ecológico-Integrado, apropriado pela Natureza! Que não nos aprorpiemos dela! EVOÉ!
Leonardo Lacerda

segunda-feira, 12 de março de 2012

Hoje às 08h41min

Ouço os teus sussurros eróticos nos buracos cravejados no meu rosto decalcado

teus gemidos tingem-se de Negro. M´alma de doce Tâmara faz meu peito tilintar ao som de um meio dia.
Nós olhamos homens-andróides-ressonantes transitando nas ruas e fazemos um sexo amplo e selvagem desdenhando a vida friamente sacerdotal do nosso Século Obscuro de Sangue Coagulado.

Juntos gargalhamos os “inocentes”...

sexta-feira, 9 de março de 2012

XX




Teus seios circulares coloidais
Abonam minha tristura em minutos intermináveis
Sorrisos exclamam toda contradição da nossa pobre vida urbana
Como estrelas cadentes delirantes...meus dedos tocam as tramas do teu corpo nú.
Elevam-me a horizontes montanhosos Psicomágicos.
Meu coração é um Meteoro Mecânico descansando nos rios aquosos calmos dos teus tesouros submersos.

IIII

Jê te veux pour tout l´eterninté!

Eu amparo as tuas coxas nuas sobre meus ombros acolhedores

Teus Cabelos Solares escorrem até meus pés Saturnais.

Somos o Sistema Solar e o mundo caótico se ordena em torno dos nossos corpos vibratórios nous!

JUSTOS nós Pisamos o infinito.

sábado, 3 de março de 2012

II ( Da depressão de deus: o suicidado da sociedade)


Da paisagem carioca burocrata decadente

Vermes de calcário alimentam-se do bolor no pão da Última Ceia

Escorpiões sangrentos cavitam no Santo Vinho envinagrado insípido

Meninas intelectualizadas hasteiam

As pesadas bandeiras de sofridas Putas da Lapa

Travestis fazem a revolução silenciosa ao meio dia.

Evangélicos santos chupam o pau de seus irmãos em Cristo

E gozam coléricos o gozo impuro de densidade de chumbo.

A Santa igreja recolhe os seus enganos fúnebres em fibras de

Papel crepom

Ouve-se um brado de trovão entoado a Baco que

ecoa o som de gerações eliminadas.

A pura Virgem chora aos pés do seu filho violado

pelos Sacerdotes Pederastas de chifres luminosos

eletrificados

A alma agora liberta suspensa no abismo, contempla sem medo a morte

Dos Eleitos.

E Deus, no Volume do Grito, suicida-se com uma navalha espanhola

Com um cabo de batom violáceo Dior.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Visitas Virtuais

Para os amantes de arte, compartilho um link espetacular que um camarada me passou:


http://www.googleartproject.com/

Podemos ir ao MoMA, ao museu do Van Gogh etc...Vejam!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Pazos à Lua

Teus olhos calosos como flechas dissecantes alhures

Cortam meu corpo vulcânico de pés em lodos herméticos lunares.

Nossa epopéia de Eros começa agora.

Às sete da manhã nossos olhos efervescentes balem como cercas elétricas num transe Tântrico.

Teus olhos de girassóis púrpuros emitem sons hipnóticos irresistíveis.

A minha santidade se dilui nas tuas coxas magras e no teu corpo delicado.

Meu desejo é hiperbólico de garoto pornográfico.

Ainda lamberei teu corpo como queima o sol as orquídeas eróticas das calçadas de Ipanema.