sexta-feira, 20 de julho de 2012

Escritos sobre Abismo


Meus olhos turvavam diante dos teus raros modos

Ando vagando, sim, tateando algo que dê consistência às palavras antes vivas, hoje tépidas...

Desde que os teus braços se recusaram a acolher meu frágil corpo, que sou eu?

Tuas últimas palavras:- sê, simplesmente! Tornaram-me nada contraditório. Tiraram de mim o que não tinha de valor. Nem poesia! Nem poesias me suportam mais!

Antes fosse ébrio, condenável, violento ou inconsequente; PUTO!

Minha potência se desfez, evanesceu! Tornei-me volume morto, multilado, cadáver transitório, sem sombras, diante de uma existência que só é no abismo da tua ausência.

Sacralizei-te, não nego. Fiz-te dona da Dinastia do meu corpo, do meu Eros, dos meus

dinamismos caóticos, das minhas razões transfiguradas pelos motivos mais secretos!

Ainda sim, confesso, novamente faria só para tê-las, as lembranças corrosivas do teu corpo nu,

dos toques de plumas dos Periantus dos teus Echnocactus, sensivelmente tártaros e

indolores.

Condenado, suplico transfusões de imagens raras, jamais vistas, nem pelos olhos de Rimbaud;

de novos paraísos sem tais estranhas dores.

De novas poesias, de Verdadeiras Poesias Foras da Lei.

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