segunda-feira, 23 de julho de 2012

A Bacante


Bacchante (William-Adolphe Bouguereau, 1984)
Minha aventura, sem consequências previsíveis, tornou-se uma armadilha torturante que me enxerta saudades; turva minha mais sólida razão fazendo florescer minhas fantasias mais secretas, cheias de medo e êxtase!

Fui sutilmente escravizado pelos delírios das lembranças dos teus lábios, do teu suave e leve corpo, ó Cálice, do teu sol transparente e penetrante; do céu erótico aberto por mil palavras mágicas transbordantes; do teu palatum de infinitas constelações. 

Da tua voz e das tuas promessas não ditas, nem se quer por ti pensadas, tornei-me refém-menino, pornográfico vulcânico.

Que Ménade és tu? Silene, Enante, Rode, Calícore?

Ione ou Licaste, quem alcança o teu coração cheio de espaços infinitos acolhedores?

Ter sido somente mais um: eis minha realidade secreta!

Nossa orgia dionisíaca inaugurou funestas noites!

Tornei-me Trakl, Antoine Artaud, Otelo, Édipo e Antígona! Tornei-me desgraçado!

Filha de Dionísio, aonde andas tu agora?!

Desejo cheio de intensidade os Grandes Lábios das tuas Ancas Pagãs cheias de carnes transgressoras; desejo os fluidos materializados no teu corpo pelo gozo do interditado; os teus gritos volumosos cheios de potência e vida!

Nenhum comentário:

Postar um comentário