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| Bacchante (William-Adolphe Bouguereau, 1984) |
Fui sutilmente escravizado pelos delírios das lembranças dos teus
lábios, do teu suave e leve corpo, ó Cálice, do teu sol transparente e penetrante; do céu erótico aberto por mil palavras
mágicas transbordantes; do teu palatum de infinitas constelações.
Da tua voz e das tuas
promessas não ditas, nem se quer por ti pensadas, tornei-me refém-menino, pornográfico vulcânico.
Que Ménade és tu?
Silene, Enante, Rode, Calícore?
Ione ou Licaste, quem alcança o teu
coração cheio de espaços infinitos acolhedores?
Ter sido somente mais um:
eis minha realidade secreta!
Nossa orgia dionisíaca inaugurou funestas noites!
Tornei-me Trakl, Antoine Artaud,
Otelo, Édipo e Antígona! Tornei-me desgraçado!
Filha de Dionísio, aonde
andas tu agora?!
Desejo cheio de
intensidade os Grandes Lábios das tuas Ancas Pagãs cheias de carnes transgressoras; desejo os fluidos materializados no teu corpo pelo gozo do
interditado; os teus gritos volumosos cheios de potência e vida!

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