sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Vênus Voluptas



Cunhantã Cumarim aproximou-se com sua boca de ferro fundido em fogo solar

Ajoelhou-se aos pés de Hydrus e Equueleus & Tirou-lhes o gozo como acróbata no cio

Vestiu-se de Sudário e  coroa concertina

Partindo em voo píncaro para os Prados lampírios  no seu corpo em chamas de flores anil

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Poema Antropofágico

a poesia Grita
    Fogo e brasas
      meus pés tateiam lânguidos
    dançam
em corpos caraíba

segunda-feira, 27 de agosto de 2012


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Na tua pele cobertor de seda cashmere
Envolvo-me menino, pacificado pelos teus toques andróginos


Tua voz é diamante penetrante produzindo defluxos e erupções aduaneiras de gozo e melancolia

  nossos corpos bailam exorcismos galopantes & consomem-se no Sermão do Fogo: insaciáveis!

Canção do Herói Trágico

Primavera Nos Dentes

Quem tem consciência pra se ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra mola que resiste
Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera

Secos & Molhados

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Os poemas que escrevo

Vincet Van Gogh - Wheatfield with Crows, 1890.

Os poemas que escrevo, por medíocres que sejam, são sempre um produto desesperado de um equilibrismo sutil na tênue corda bamba suspensa no abismo que é minha existência; consequências de um desenfreado anarquismo sem contensão.
Admito, não é possível voltar ou parar. Cairia! Daqui, só a loucura ou a morte, pois são, inevitavelmente, obras com um risco irremediável, de uma experiência levada até o extremo, até o ponto em que eu não possa mais continuar.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

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Nietzsche, no quarto parágrafo da primeira dissertação da Genealogia da Moral sugere que o preconceito democrático seria o último avatar desse processo de apagamento, esquecimento do que está na origem: a instauração soberana.
Depois de olhar por alguns minutos a imagem de L'Origine du monde, de Gustave Courbet, permito-me pensar que talvez a questão da soberania seja mais uma dimensão e menos causa dos preconceitos gerais. A imagem de Courbet deixa clara a proximidade entre o que o artista chama de origem - nesse caso uma origem simbólica - e os orifícios excretores. Parece-me haver uma relação intrigante e produtora de mal estar entre aquilo que nos origina, edifica, constitui e nossos excrementos. Isso nos dificulta a nos pensar, pois nos pensar, nesse caso, seria buscar uma origem que, fatalmente, poria os excrementos em evidência: tudo que, em nossa história particular, procuramos dispensar com um esforço incalculável, cotidianamente. Seria então possível pensar em um subproduto 'excremental' onde os preconcentos seriam lugar onde estariam armazenadas veladamente as partes mais rejeitáveis daquilo que nos constitui enquanto sujeitos.  
“Pois a lógica anatômica do homem moderno é jamais ter podido viver, nem pensar em viver, a não ser como possesso.” Assim termina o Post-Scriptum à introdução do texto Van Gogh, O Suicidado da Sociedade, enviado ao editor por Artaud, por volta de 10 de março de 1947, como um complemento ao texto original. Há uma relação óbvia entre o fato de um sujeito não tomar posse da sua existência, sempre delegá-la a um Outro e o temor da emergência do real, colocando-o frente a um afeto insuportável, a angústia. Mas é a partir da angústia que os excrementos podem ser expelidos, pois é nela que se denuncia um vazio originário que opera, no mínimo, como depositório desses mesmos excrementos. Mas cabe lembrar: os excrementos podem ser expelidos em seus excessos, mas sempre deixarão seus odores insuportáveis e restos impregnando as paredes da nossa constituição subjetiva.
a poesia vê melhor
eis o espírito do fogo
minha mão
dança
no corpo do garoto lunar
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teu cu fora da lei
teu pau infurecido
alegria de anjo
nas estradas
do prazer
língua dos espíritos índios
cogumelos profetizando
anarquia & delírio
boca no meu pé
boca no meu saco
poesia é desatino abrindo a Noite
no excesso do Dia

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Poema Submerso

Eu caminhava pelas aléias olhando com alucinada ternura
       as meninas na grande farra dos canteiros de
       insetos baratinados
Teu canto insatisfeito semeava o antigo clamor dos
       piratas trucidados
Enquanto o mundo de formas enigmáticas se desnudava
       para mim, em leves mazurcas

R.P. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Breve elogio à beleza

Gustave Courbet (1819-1877) Femme nue au chien
Escrito às 09h do dia 09/08/2012 após um encontro no corredor da repartição.


Teu sorriso áureo, mesmo tão fugaz, iluminou espaços infinitamente;
sepultou o tempo;
cessou ventos nos trigais.

tua pele fulva de centenas de girassóis reflete o sol poente que no céu se estende e descortina as maravilhas de uma beleza intransponível.

Teu Belo, inquieto e angustiante, traz medo; poesias estranhamente mudas; enrodilhadas no coroado nó de chamas lúgubres pentecostais

Teus olhar vítreo e delicado desconserta minha oca sabedoria.
Meu corpo treme!
Admiro-te calado como um solitário equino de coche pardacento abandonado no róseo crepúsculo;

ruminando, sim, ruminando uma vida comum - pedra tumular - cheia de valores imprecisos decadentes.