quarta-feira, 4 de julho de 2012

Bar do Manel


                                         03/Julho de 2012. 14h51min




O que era pra ser um dia como outro qualquer acabou se tornando uma ocasião fantástica.
Estava tomando um café em um bar próximo à repartição. Era um hábito que já nem me dava conta. Todas as quintas eu, depois daquele almoço ingrato, pois estava sempre tentando segurar uma grana, dava uma saída do trabalho pra tomar um café e ver o jornal na Tv do bar de um português chamado Manuel. Obviamente, como todos os clientes, chamava-o de manel. Mas nem sei o porquê. Não tinha nenhuma intimidade com o puto.
Sempre pedia um café, simplesmente um café; dois dedos no máximo e acendia meu cigarro. O único que conseguia fumar, meu cigarro de palha que me matava vagarosamentem, mas me dava uma gostosa sensação de tranquilidade. É sempre um bom companheiro para as horas mais e menos angustiantes. E hoje era um dia daqueles. Dia sem qualquer motivo de ser abatido por uma tristeza escrota. Já nem procurava mais entender. Simplesmente pensava: foda-se, bora tocar o barco.

Enfim, já na metade do cigarro e na entrada do comercial na TV, por um certo instante, meus olhos se desviaram daquela merda de aparelho que eu insisto em ver com a esperança de aplacar, pelo menos por um instante, a porra da náusea crônica.
Passei a mão na cabeça e olhei logo para baixo da TV, pois ficava pendurada numa parede decorada de garrafas de cachaça, sensivelmente convidativas.
Ali, logo ali sentadas, cinco mulheres. Novas. Por volta de 28 ou trinta anos. Elas me olhavam e riam. Olhei pra TV novamente, pensando não estar enxergando bem ou nem sei mais o quê. Olhei novamente para as moças. E, novamente, pra minha surpresa, elas me olhavam e riam.
Pensei: que porra tá havendo. Caralho, por que essas putas me olham e riem. Olhei-me de cima abaixo e quando levantei a cabeça, na minha frente, sim, na minha frente, estavam duas das cinco com a mesma cara de bunda que me olhavam quando estavam na cadeira.
Dei aquele sorriso escroto, pois estava altamente sem graça e perguntei:- senhoritas há algo de errado comigo? Falem por favor, pois estou bastante constrangido.
Elas rindo ainda mais ouviram um sonoro Porra qe saltitou como um gato assustado da minha boca de cinzeiro.
Umas delas disse: - a gente só queria experimentar esse cigarrinho, relaxa. Eu e minha amiga temos muita vontade de fumar e tals...se tiver um pra gente.
Pensei: cara, essas gurias chegam assim, sem transição, e ainda pedem a porra do meu cigarro, que é caro pra cacete...
Logo depois desse pequeno e improvável diálogo veio uma felicidade quase celestial. As meninas eram bem comestíveis. Aliás, eram lindas. Magras, brancas e peitudas; ambas.
Como um cão selvagem no cio, sem controle, mandei na lata:
- Trepem comigo!
Silêncio angustiante...Pensei: - pronto, agora eu tô fuuuudiiiido.
Tinha um carro da polícia ali pertinho. É agora que eu rodo - pensei. Porra, minha mulher sabendo que eu estou numa delegacia por falar putarias pra duas mulheres que nunca vi na vida- vai ser lindo isso. Não dava nem pra negar, pois a palavra das duas dondocas certamente valeria mais que a minha. Elas tinham cara daquelas mulheres da zona sul do Rio. Ricas, brancas, com roupas floridas e , provavelmente, cheias de influência. Certamente moram na Lagoa, Ipanema ou em um desses esgotos aristocráticos qualquer.
Saíram de perto, foram à mesa. Disseram algo para as amigas que menearam a cabeça positivamente. Foi aí que pensei:- agora to perdido...foda-se! Aristocracia de Merda. Fodam-se mil vezes.
As cinco vieram na direção da saída, pararam na minha frente e disseram:
-Então, pra aonde vamos?
Naquele momento, nem meu pau acreditava...
Perguntei com um leve sorriso no rosto: - Pra aonde vamos, como assim?
Uma delas disse:- Ué, não chamou nossas amigas pra trepar? Queremos ir também. -Podemos?
(Se eu fosse um muleque de 17 anos, meu pau já estaria na testa)
Ao lado um ponto de taxi...Olhei pra um deles. O taxi. Era tão fudido que fiquei preocupado em pegar tétano ou alguma doença de pele. Mas não tinha opção, era o primeiro da fila.
-Disse ao cara: - Boa tarde. não acreditava no que estava acontecendo.
Pensei que elas me matariam, me roubariam...tá fácil de mais! Essa porra desse cigarro é MÁGICO, caralho! E eu pensando em parar de fumar...
A tensão logo passou.e entramos no carro como crianças felizes indo para uma nova brincadeira...

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